Quinta das Águias semeia futuro que respeita a natureza

Estilo de vida

Quinta das Águias semeia futuro que respeita a natureza

Ana Mota, Texto e Fotografia

O aroma a gengibre, cebola e alho-francês intensificam-se e Joep Ingen Housz envolve o feijão, com delicadeza, enquanto recorda a jornada que o fez chegar à cozinha. Ao templo por eleição para a prática de “cooling down”, de relaxamento e abrandamento da mente. E foi precisamente a tomada de consciência e a reconexão com o interior que o fez escolher a culinária plant-based. 

Em criança, com pouco mais de três anos, já não gostava de comer animais. Por influência da mãe, que o obrigava a comer, ficava horas a mastigar a refeição que não conseguia engolir. A carne e o peixe “não estabeleciam ligação” com aquilo que acreditava ser e gostar, mas só o percebeu anos mais tarde. 

Joep Ingen Housz nasceu em Eindhoven em 1948, um ano antes da independência da Indonésia. A história de colonização do arquipélago, abundante em especiarias transportadas para a Europa pelas mãos dos holandeses, cruza com a narrativa do engenheiro informático que mudou de vida aos 50 anos. Começou a explorar a gastronomia vegetariana depois de frequentar o primeiro curso de culinária oriental, de cozinha indonésia.  

Foi numa jornada de autoconhecimento e de reflexão interior - movida por uma pausa na carreira - que descobriu o que lhe faltava: tornar-se consciente dos seus pensamentos, sentimentos, hábitos e emoções, em comunhão com a natureza. Pelo caminho, passou por vários países, entre eles Bélgica e França, até conhecer Ivone, a mulher que o convenceu a mudar-se para Portugal.  

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Semear o futuro  

Faz este mês 20 anos que Ivone e Joep trocaram o Porto por Paredes de Coura, local onde encontraram o refúgio ideal para cuidar da saúde e do planeta através de uma nova forma de vida. Quando perceberam a “urgência climática” vivida, decidiram voltar ao campo, a um lugar da infância, “onde se comia de forma biológica, com um contacto mais profundo e direto com a biodiversidade”.  

Para além de um local de respeito pela natureza e pelos animais, a Quinta das Águias desempenha um papel mobilizador da comunidade, não só de Paredes de Coura, mas de todo o país. A Rubiães, chegam crianças de várias escolas, mas também jovens e adultos de todo o país, que são motivados a pensar um futuro com respeito pela natureza. Os perigos, “reais e gigantescos” ao nível das alterações climáticas, lembram a urgência de se chegar às futuras gerações, às idades onde existe maior “flexibilidade de espírito” para mudar. “Não podemos mudar tudo, mas cada um de nós pode decidir o que põe no prato. Ter consciência disso pode mudar o Mundo”, concretiza Joep Housz, enquanto finaliza o tempero com pimenta, sal e cominhos. A feijoada, prato típico português que adaptou para uma versão sem carne, vai ser servida aos convidados que chegaram para conhecer a quinta. Mensalmente, o espaço abre-se à comunidade, que experiencia o respeito pelos animais, dentro e fora do prato. 

Feijoada à Quinta das Águias

    Ingredientes
 

  • 4 colheres de sopa de azeite virgem extra
  • 2 chávenas (400g) de feijão seco de variedade(s) à escolha, demolhado durante a noite (evitar usar feijão enlatado) 
  • 3 cebolas grandes descascadas e picadas grosseiramente 
  • 6 dentes de alho descascados e picados finamente 
  • 4 cm de gengibre fresco descascado e picado finamente  
  • 1 alho-francês fatiado finamente  
  • 3 tomates maduros cortados em cubos  
  •  1 pimento vermelho picado grosseiramente (retirar as sementes e membranas brancas)  
  • 300g de batata doce descascada e cortada em cubos pequenos  
  • 500g de cenouras descascadas e cortadas às rodelas  
  • 2 colheres de chá de sementes de cominhos (não só dão sabor, como ajudam a prevenir a formação de gases)  
  • 300g de cogumelos shiitake fatiados (opcional)  
  • Uma mão cheia de salsa picada finamente  
  • Sal marinho e pimenta-preta moída na hora, a gosto  
  • 300-400g de couve (sugerimos a couve-galega)  
  • 1 alheira vegetariana picada grosseiramente  


         Modo de Preparação
 

  • Colocar água a ferver numa panela ou chaleira elétrica. 

  • Cobrir o fundo de uma panela grande e larga com água e saltear a cebola, o alho-francês, o alho e o gengibre durante 4-5 minutos sobre lume médio-alto. Escorrer e lavar os feijões demolhados e colocá-los na panela com o refogado. Adicionar os tomates, cobrir com água a ferver e cozinhar sobre lume médio. Dependendo da qualidade dos feijões, o processo de cozedura total da feijoada poderá levar até 2-3 horas. Mexer e adicionar mais água quente frequentemente, garantindo que os feijões estão sempre cobertos de água. Após cerca de 45 minutos, juntar o pimento, a batata-doce, as cenouras e as sementes de cominhos. Juntar mais água quente, até cobrir os ingredientes, e continuar a cozinhar.  

  • Entretanto, preparar a couve-galega: retirar os talos e cortar as folhas em tiras tão finas quanto possível (cerca de 2 mm de largura) com a faca afiada, de forma que se assemelhe a couve para caldo-verde.  

  • Após duas horas de cozedura, provar frequentemente para confirmar se os feijões estão tenros e se o molho começa a engrossar, graças ao amido libertado pelos feijões. Continuar a cozinhar em lume médio, até que os feijões fiquem praticamente cozinhados, e juntar a salsa, o sal marinho e a pimenta-preta. Se incluir os cogumelos, adicioná-los apenas 10 minutos antes de estar pronto, para evitar que fiquem sobrecozidos. Juntar a couve-galega e a alheira vegetariana e cozinhar durante 5 minutos, evitando que a couve fique demasiado cozida.  

  • Servir quente. 

 

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Publicado em 20 Novembro, 2025 - 09:00
Natureza
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